23
Jun
08

DIFICULDADES CONTEXTUAIS DO ENSINO DA HISTORIA – VISAO SOCIAL

Este post é uma continuação do artigo referente às Dificuldades do Ensino da Historia – cuja Parte Introdutoria já foi apresentada.

As dificuldades contextuais estão unidas, entre outros, a três fatores: à visão social da História, à função política que, em ocasiões, pretendem os governantes para esta matéria e, por último, à tradição e formação dos docentes.

O time de professores de Historia da AD Monografias prontas de pesquisa monografica realizou este artigo, que está sendo apresentado em partes, e adveio da busca realizada quando da elaboração de um projeto de pesquisa para uma monografia

Visão social da História

O conhecimento histórico faz parte da vida cultural e social. A História é tema de filmes e concursos televisivos, é motivo de celebrações e festejos públicos, é objeto de campanhas institucionais e faz parte do enorme legado cultural que se transmite, entre outros meios, através da tradição oral.

Isso quer dizer que o corpo discente, sem ser consciente, está configurando uma visão do histórico em sua vida como integrante da sociedade que, geralmente, não coincide com a História escolar ou a História contida nos livros de texto.

Que visão da História é a que se costuma transmitir fora da escola?. Com que elementos se constrói a percepção social do conhecimento do passado?.

Não existe uma única versão, senão variadas. Podemos comprovar, em primeiro lugar, que existe uma percepção social que identifica saber histórico com uma visão erudita do conhecimento do passado . Trata-se de uma visão bastante habitual.

Segundo esta percepção, saber História equivale a ser antiquado ou inventariante da recordação; saber História é conhecer curiosidades de outros tempos, lembrar dados que identificam um monumento ou um acontecimento, ou, simplesmente, recitar nomes de glórias e personagens passados, geralmente do patrimônio próprio.

Esta tradição, cultivada desde o século passado por uma miríade de eruditos locais, calou fundo na sociedade. Ninguém reclama, ao que diz saber História, uma explicação geral do passado, nem que contextualize o singular num processo geral dinâmico que, por força, resulta complexo e requer estar dotado de método e teoria.

 A razão é que a percepção geral deste tipo de saber, o histórico, está mais próximo da erudição que de uma ciência social como é a História. Este fato, ainda que talvez não seja explicitado pelo corpo discente, marca profundamente o conceito que se tem na sociedade da matéria histórica e aflora freqüentemente quando sondamos as idéias prévias dos escolares.

Em segundo lugar, pode-se detectar nos últimos anos uma clara tendência a identificar História com jornalismo. Reina um contemporaneismo exagerado como centro de máximo interesse em temas de estudo do passado .

Não é difícil reconhecer que tipo de historiadores aparece nos meios de comunicação, que temas tratam, e da visão “culta” e acadêmica que dão do passado. Atualmente, a vinda da Família Real portuguesa ao Brasil Colônia e, como mais presente, a ditadura militar, ou a revolução cubana, foram temas estrela nos meios de comunicação.

Se analisamos, por exemplo, a programação de reportagens históricas de uma televisão dedicada à cultura, comprovaremos que só é História interessante a que vai desde os anos quarenta até a atualidade.

A Guerra do Golfo, por exemplo, explica-se com formato de relato histórico, e se identifica sua explicação de causas e conseqüências como conhecimento histórico de similar qualidade ao que poderia fazer-se sobre a Guerra da Independência americana ou a Guerra franco-prussiana.

 O exagerado contemporaneísmo, conforma uma determinada visão histórica: a falta de perspectiva dos fenômenos induz a visões presentistas de qualquer outro fato, ainda que seja muito longínquo no tempo.

A História “interessante” é aquela que trata nosso ontem ou anteontem imediato.

Precisamente, o que não se pode considerar História por sua, ainda, estreita vinculação com o presente, porque não existe ainda uma teoria explicativa que reúna os requisitos exigíveis a uma explicação histórica, ou simplesmente, porque não é possível pesquisá-lo pela situação das fontes.

Pese a isso, esta “História” é a que faz sentido conhecer, inclusive desde o ponto de vista acadêmico.

Esta supervalorização do contemporâneo como conteúdo histórico totalmente predominante, e que é considerado (a meu juízo muito erroneamente) de maior significatividade para os jovens, consolida uma sociedade desmemoriada e uma visão absolutamente inadequada do que deve servir para configurar uma visão correta do passado.

Ao contrário, está sendo impulsionada pelos meios e, inclusive, pelos decretos de mínimos curriculares na nova ordenação do sistema.

Não é que neguemos a necessidade de estudar os temas da História mais recente, o que dizemos é que não é possível fazê-lo sem ter visões diacrônicas amplas e sem saber contextualizar os fatos em tipos de formações sociais que, por sua estrutura econômica, ideológica, cultural e política, explicam estes fatos de maneira totalmente diversa segundo o contexto

O contrário é cair no presentismo, ao qual dedicaremos o parágrafo seguinte, ainda que seja fazendo uma pequena digressão ao fio explicativo que se realiza.

Está-se impondo por múltiplos caminhos de transmissão ideológica (alguns acabamos de comentar) uma visão tópica e eficaz do passado., “A exaltação do Presentismo (na linha de um Beard, Randall, Becker, etc) ou, para ser tecnicamente mais precisos, do relativismo subjetivista: a História é uma simples recriação (invenção) do (‘seu”) passado por cada um dos historiadores.

Em definitiva, a escrita histórica é um espelho deformado sobre o qual cada historiador projeta sua particular visão do passado. Se, portanto, não pode ser ciência, deve desempenhar um papel pragmático de caráter funcionalista: estar ao serviço de uma ‘boa causa’. Simples literatura de combate, que será útil na medida que seja eficaz nessa luta do liberalismo contra o comunismo” [7] .

A última frase se explica porque esta visão une esta tendência presentista à ofensiva que o neoidealismo, o liberalismo historiográfico, desencadeou na década de noventa.

Esta ofensiva ideológica, iniciada com o famoso artigo de Francis Fukuyama, “O fim da História”, ao dizer de Josep Fontana, foi financiada e orquestrada pela John “M. Olin Foundation, uma instituição norte-americana que investe anualmente milhões de dólares para favorecer uma virada à direita no ensino das ciências sociais” [8] .

O presentismo, talvez desprovido de muitos de seus elementos teóricos, teve sucesso na visão que da História se dá em muitos meios e, inclusive, de maneira implícita em propostas curriculares que o adotam em prol de um enfoque pretensamente didatista e psicologista, mas que, sem sabê-lo, desnaturaliza a verdadeira força educativa e formativa da História.

Por último, existe uma visão esotérica e quase de ciência-ficção da História . Não é que esteja muito estendida, mas mantemos a hipótese que é muito aceita em determinados estratos sociais.

Referimo-nos à explicação de muitos fenômenos unidos a intervenções extraterrenas ou estranhas. Umas provas, sem demasiado rigor científico, que passaram entre jovens de primeiros cursos de educação de nível médio obrigatória (12 a 14 anos de idade) indicavam que a maior parte dos alunos conheciam explicações sobre a construção das pirâmides egípcias, unidas à presença de viajantes de outro planeta que foram na época faraônica às terras do Nilo.

A maioria sentia atração pelo que consideravam um tema relacionado com a História: o mistério “do triângulo das Bermudas” e, senão todos, uma grande parte cria que no planalto peruano existiam pistas de aterrissagem de ovnis que estiveram no continente na época anterior à conquista espanhola.

Estas visões, que normalmente não são consideradas e, inclusive, desprezadas estão também presentes em setores sociais e, ao não serem consideradas e tratadas, jazem muitas vezes nas concepções da História de setores de adolescentes inclusive depois de terem passado por estudos primários.

Nossa empresa de monografia apresenta como função social a geração gratuita de conhecimento. Da mesma forma, nossas monografias de embasamento para TCC servem como um modelo bibliográfico de pesquisa, ampliando a capacidade do aluno, e não o plágio acadêmico.


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